sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Em busca da bonança

 
Prefiro as dores físicas... 
Essas outras: angústia, tristeza, falta de esperança...
 
Acabam comigo... me deixam doente...
 
Não consigo nem dizer o quanto estou triste!
 
Esperando fases melhores...
Pra mim e para essa família.
Que possamos aprender significados sobre empatia, espírito coletivo e fraternidade...
Que saibamos juntar nossos cacos e formar o mosaico que somos...
Que possamos aprender com a nossa dor e saber acolher o sofrimento do outro...
Que renasçamos como a fênix dessa conduta obsoleta, pútrida e fétida que nos encontramos agora...
Que possamos ser melhores!!!
...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Derrepente... me perdi!!!

A vida e suas ondulações.... seus altos e baixos...
Ok, me formar na faculdade e começar a trilhar um caminho, uma carreira... pensei.

E certo que até concluir a graduação muitas coisas aconteceram... 

Tranquei por um ano... lutei dia a dia pra recuperar minha saúde física e aprimorar minha inteligência emocional nesse ano que foi um divisor dessa existência... 

Hoje me lembro desses dias com muita nostalgia... minha energia inabalável, meu otimismo... tão pedante, tão irritante, tão convicto! Que até Pollyanna Whittier soaria pessimista... Mas enfim, naquele momento, toda aquela enxurrada de positividade fazia sentido pra mim...

Por sua vez, finalmente recuperada.... Voltei ao curso, e o conclui, com louvor! Diga-se de passagem...
Já nos últimos meses próximo a colação me perguntava se tinha feito uma boa escolha... 

A História acrescentou muito a mim como formação pessoal.... mas como usar esse conhecimento profissionalmente? Já nos últimos estágios estava convencida de que não tinha aptidão docência. Eu sou da participação sabe? Eu falo baixo... Eu não quero ser lider de nada... a autoridade não me interessa... 

E as modernas metodologias didáticas que me desculpem... os senhores Paulo Freire e Jean Piaget que me desculpem!!! Mas um professor com 40 alunos numa escola pública, precisa agir com muita energia e autoridade! Não quero isso... Não obrigada! Passo adiante...

O que fazer com mais de quatro anos de estudo? Restauração, Arquivos, Museus, Pesquisas? Sim ótimo, me interessa... me mostre como? Não vejo um caminho razoavelmente viável... Se alguém souber é só dizer, estou pronta!

Mas enquanto isso as dúvidas se multiplicam: A psicologia ainda bate ao meu coração... Como no primeiro vestibular que fiz... Será que deveria ter insitido? não sei...
 Então temos:

Fazer uma pós? ok. Em quê? História? outra área?
Puxar o fôlego e fazer outra graduação, dessa vez psicologia? E torcer pro universo conspirar ao meu favor? Sinceramente não sei se posso...
Esquecer minhas limitações e frustrações com o ensino e ministrar aulas mesmo assim?

Há dois condutores essenciais para viabilizar qualquer dessas possibilidades: Dinheiro e  Tempo... E a realidade pura e triste é que não disponho de nenhum deles... 

Enquanto isso, como dizia o poeta, o tempo não pára... já estou com 28 anos... 28!!! Este é o momento de ter um plano bem elaborado e seguir por ele afim de consolidar um ofício... O tempo justo pra indagações já se foi...   

Tic tac, tic tac... No meio da encruzilhada, estou agachada, as mãos na nuca, antebraços tapando os ouvidos... Não sei... não sei.... 

A convicção se foi... o otimismo se foi... o dinheiro? Há muito tempo se foi... 


Não sei...




Não sei...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sem Forças



Os ciclos continuam...


Estou em cima, estou em baixo, num instante otimista, no outro convicção niilista do mundo...


Eu pensava que já tinha me libertado disso, que finalmente tinha encontrado uma maneira para lidar com o pior de mim... meu pessimismo, minha auto-piedade desprezível.


Ledo engano o que aprendi foi protelar esses sentimentos um pouco mais, observando agora foi mesmo uma façanha! Estive em êxtase de bom-humor, alegrias e sorrisos por um bom tempo... mas a boca começou a doer, o sorriso vem se amarelando... e essa euforia, agora, me parece mais com uma ditadura da felicidade...


Os fantasmas regressam... o mesmo vazio sufocante volta a me abraçar...


Os ciclos, sempre eles!!! É certo que retorno a um ponto soturno, ermo e vazio da minha vivência...


Mas voltar não significa um determinismo que reproduz as mesmas angústias, e essa é a boa notícia, eu mudei e minhas dores também... de certa forma há dentro de mim agora a convicção de que esse momento é tributável e passageiro.


Pois aqui já estive, algumas vezes... mais retornos do que quero me lembrar... mas dessa vez volto diferente por que recentemente também já estive no topo colorido,no fim do arco-íris, doce repleto de palpitações, de esperança, de júbilo...


Já estive lá também... uma vez apenas... mas fez toda diferença... pois retorno mudada á minha conhecida angústia opressora... eu a encaro agora com certo ar elevado... matei a charada, se revelaram as possibilidades...


Pela primeira vez sei que a aflição é passageira...


A ascendência logo vem...


No entanto espero que não demore muito...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nunca?

Três anos se passaram...
A ausência permanece...
A dor permanece...
Ela nunca mais soube amar.
Ela nunca mais sentiu um palpitar.
Desaprendeu a beijar.
Não sabe como acreditar.
Não vê por onde continuar.
Perdida, com seu sentimento concretado.
Perdeu o tino, perdeu o viço...
Se quebrou...
Nunca mais o verá.
Nunca mais a loucura...
Nunca mais o topor...
Com a certeza de que era amor...
Chora, sofre, aceita...
Ás vezes reza:
Tomara que o nunca não exista...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O poder desarmado

Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal de sua casa, para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados" e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor para "se esquecer do mundo". Esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres.

Antes, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos.

Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram os seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem a moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico, tão bem representado por pistolas, revólveres, punhais.

Ninguém diz, de uma mulher, que ela é espada. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam lata d'água e trouxa de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram crianças. Ao seu dorso que engrossou, porque ela carrega o país nas costas. São mulheres que imporão um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e corações.

Viva Rita Lee, que canta: "nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda e meu peito não é de silicone... sou mais macho que muito homem"


Heloneida Studart